O anúncio de que Tim Cook deixará o cargo de CEO da Apple para assumir a presidência executiva do conselho marca uma mudança estrutural, mas preserva sua função mais essencial. Ao formalizar o novo papel, a Apple fez questão de destacar que Cook continuará à frente do relacionamento da empresa com "formuladores de políticas ao redor do mundo". O recado é claro: a engrenagem cotidiana do império do iPhone pode passar a um sucessor, mas a diplomacia de alto risco necessária para protegê-lo, não.
A gestão de Cook foi definida por sua capacidade de construir pontes sobre o abismo crescente entre o Vale do Silício e a direita populista. Durante o primeiro mandato de Donald Trump, Cook navegou a agenda "America First" com um pragmatismo discreto e persistente que lhe rendeu o apelido de "Trump whisperer". Ao manter uma linha direta com o Salão Oval, conseguiu blindar a Apple dos aspectos mais punitivos da guerra comercial com a China, obtendo isenções e concessões que seus pares não alcançaram.
A transição sugere que o papel de um líder de Big Tech evoluiu para algo semelhante ao de um chefe de Estado. Como presidente do conselho, Cook será menos gestor e mais emissário soberano, voltado aos ventos contrários geopolíticos que hoje ameaçam as margens da Apple mais do que qualquer hardware concorrente. Num mercado global cada vez mais fragmentado, sua tarefa principal é garantir que a Apple siga sendo a exceção à regra do desacoplamento.
Com reportagem de The Verge.
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