Um salto de escala que não se sustenta
A ascensão de Lee Cronin ao comando de uma grande produção de terror parecia um passo natural depois da eficiência enxuta e encharcada de sangue de Evil Dead Rise (2023). Contudo, em seu trabalho mais recente, Lee Cronin's The Mummy, o diretor não consegue transpor sua intensidade característica para uma tela mais ampla. O que resta é um filme que tenta enxertar gore pesado e efeitos práticos elaborados numa estrutura narrativa incapaz de se sustentar, resultando numa experiência ao mesmo tempo abarrotada e curiosamente oca.
Família fraturada, emoção soterrada
O filme gira em torno da família Cannon, liderada por Charlie (Jack Reynor), um repórter baseado no Egito, e sua esposa Larissa (Laia Costa). Quando a filha Katie desaparece durante uma tempestade de areia repentina, o núcleo familiar — obsessão recorrente na obra de Cronin — se despedaça. A história é retomada oito anos depois, quando Katie reaparece dentro de um sarcófago misterioso. A ressonância emocional dessa reunião, porém, fica soterrada sob um roteiro que desafia a própria lógica interna, trocando a tensão claustrofóbica do trabalho anterior de Cronin por uma estrutura flácida e difícil de manejar.
Múmias como pretexto, não como ameaça
No fim das contas, as múmias que dão nome ao filme funcionam mais como um recurso de enredo inconveniente do que como fonte de pavor genuíno. Ao diluir seu foco nas dinâmicas familiares dentro de um formato de blockbuster congestionado, Cronin perde a precisão que antes definia seu ofício. O filme serve como alerta sobre a transição para o "grande estúdio", em que o desejo de escala costuma cobrar seu preço em coerência narrativa e controle atmosférico.
Com reportagem de Little White Lies.
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