A Universidade da Europa Central, em Budapeste, continua sendo um átrio reluzente de vidro e luz, mas seus corredores estão em grande parte silenciosos. Desde que o governo de Viktor Orbán forçou a transferência de suas operações de concessão de diplomas para Viena, há sete anos, o edifício passou a funcionar como um monumento esvaziado de uma era em extinção da educação liberal. O que resta é um grupo reduzido de pesquisadores e uma biblioteca pública — o suficiente para sinalizar vida, mas não para disfarçar o deslocamento institucional que ocorreu.
Nesse cenário, emerge um argumento difícil: frequentemente interpretamos mal os regimes iliberais e pós-liberais ao nos concentrarmos apenas em seus resultados negativos — corrupção, controle social e supressão da dissidência. Embora esses elementos estejam presentes, costumam ser instrumentos de um projeto mais coerente. Estados como Hungria, China, Rússia e Índia se definem cada vez mais por uma visão proativa de "prosperidade humana". Deixaram de atuar como árbitros neutros para se tornarem arquitetos de uma ordem moral específica, usando o poder estatal para cultivar o que definem como um cidadão "bom".
Essa mudança representa o retorno do "Estado moral", no qual o governo promove ativamente uma identidade cultural e social particular. Seja no movimento MAGA nos Estados Unidos, seja nas políticas nacionalistas da Turquia e de Israel, a tendência aponta para uma política que rejeita a neutralidade pluralista do final do século 20. Para lidar com esses Estados de forma eficaz, é preciso primeiro reconhecer que eles são movidos por ideais — ainda que excludentes — que seus apoiadores consideram o alicerce essencial de uma sociedade estável e virtuosa.
Com reportagem de Noema Magazine.
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