Um contraponto necessário
Num momento em que a indústria cinematográfica de sala é frequentemente descrita em termos de retração e aversão ao risco, o festival New Directors/New Films segue como contraponto necessário. Coproduzida pelo Film at Lincoln Center e pelo Museum of Modern Art, a edição de 2026 chegou com a reputação de ser uma das mais fortes dos últimos anos. Trata-se de uma vitrine concebida para demonstrar que, apesar do estado precário da distribuição global, os limites formais do cinema continuam sendo expandidos por vozes que operam muito além do sistema de estúdios.
Opacidade como método
Uma das peças centrais da segunda metade do festival é Cold Metal, de Clemente Castor — um filme que rejeita o arcabouço narrativo tradicional em favor de algo mais sensorial e esquivo. Ambientado em Iztapalapa, bairro operário da Cidade do México, o longa acompanha dois irmãos: um fugitivo de um centro de reabilitação, o outro um receptáculo de "imagens que não lhe pertencem". A premissa sugere um thriller psicológico, mas a execução de Castor é bem mais radical, apostando numa "lógica de montagem errática" que privilegia atmosfera sobre enredo.
Um cinema que exige paciência
O filme, que já havia conquistado o Prix Georges de Beauregard no FIDMarseille, é exemplar de uma tendência crescente entre diretores emergentes rumo a uma "opacidade agressiva". Ao fundir elementos de não ficção com narrações epistolares em voz over e subtextos sobrenaturais, Castor cria uma experiência desorientadora que se assemelha menos a uma história e mais a uma teletransportação entre estados mutáveis de consciência. É um trabalho que exige um tipo específico de paciência, recompensando o espectador não com resolução, mas com uma sensação profunda de lugar e presença.
Com reportagem de Criterion Daily.
Source · Criterion Daily



