A administração do Pavilhão dos Estados Unidos na Bienal de Veneza tomou um rumo incomum. Jenni Parido, uma ex-proprietária de loja de ração premium para pets na Flórida, de 37 anos e sem qualquer trajetória profissional nas artes, foi nomeada comissária da exposição patrocinada pelo governo federal. Sua transição — de vender nuggets gourmet de carne de veado a supervisionar uma peça central da diplomacia cultural global — representa um desvio significativo das indicações de perfil institucional que historicamente definem o cargo.

O caminho até a composição final do pavilhão foi igualmente tortuoso. Parido nomeou Jeffrey Uslip como curador, uma figura cuja passagem anterior por St. Louis foi marcada por controvérsias. Embora o escultor Alma Allen tenha sido o escolhido para representar os EUA, o processo teria visto diversos artistas de renome, entre eles William Eggleston e Barbara Chase-Riboud, recusar ou desistir da participação. Allen descreveu seu trabalho como algo que existe fora do campo da política partidária, deixando a recepção do pavilhão ao julgamento do público internacional.

Em um desdobramento à parte para historiadores da arte, um elo físico com o retratismo inglês do século 17 veio à tona. Um pingente memento mori presente na pintura de John Souch de 1635, Sir Thomas Aston at the Deathbed of His Wife, foi recentemente descoberto. A obra, uma representação sóbria do luto que integra o acervo da Manchester Art Gallery, mostra Aston usando a joia em memória de um filho falecido. O reaparecimento do pingente oferece uma conexão rara e tangível com as tragédias domésticas e os rituais de luto registrados na tela de Souch quatro séculos atrás.

Com reportagem de ARTnews.

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