Uma nova configuração para Hollywood
As placas tectônicas da indústria do entretenimento se moveram mais uma vez com o avanço da Paramount Skydance para adquirir a Warner Bros. O acordo ganhou forma definitiva após a Netflix, principal rival na disputa pelo estúdio histórico, retirar sua oferta. Os co-CEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters, classificaram a aquisição como algo "desejável, mas não indispensável" — sinalizando a recusa em se sobrecarregar apenas por ganho de escala. A desistência também neutralizou, ao menos no curto prazo, o escrutínio antitruste: o senador Mike Lee, de Utah, cancelou uma audiência que tinha como alvo a gigante do streaming.
Sob a liderança de David Ellison, a nova entidade pretende construir uma ponte entre o futuro digital e a tradição das salas de cinema. Ellison se comprometeu com uma programação robusta de 30 filmes por ano, cada um com janela garantida de 45 dias nos cinemas antes de migrar para uma plataforma que unificará HBO Max e Paramount+. Num movimento que contraria a tendência recente de digitalização total, a Paramount também pretende manter seus ativos de TV linear, incluindo a CNN, com a promessa de preservar a independência editorial da organização jornalística em meio à reestruturação corporativa.
Enquanto os gigantes se fundem, os players menores recalibram suas estratégias. Megan Ellison conduz uma tentativa de revitalização da Annapurna Pictures, a produtora independente que sofreu com a expansão excessiva nos últimos anos. Ao recontratar executivos-chave e adquirir o próximo filme de Olivia Wilde, The Invite, Ellison parece direcionar a empresa de volta às suas origens no cinema de prestígio de alto perfil. Enquanto isso, no circuito de festivais, Tricia Tuttle permanece à frente da Berlinale, oferecendo um senso de continuidade numa temporada definida por transformações corporativas radicais.
Com reportagem de MUBI Notebook.
Source · MUBI Notebook



