A promotoria do distrito de Manhattan anunciou a devolução de 17 livros raros aos herdeiros de John Hay e Betsey Cushing Whitney, encerrando um esforço de recuperação que se estendeu por décadas. Os volumes, que incluem obras de John Keats, Oscar Wilde e James Joyce, foram roubados da propriedade do casal em Long Island durante os anos 1980. Entre os itens mais notáveis está uma edição de 1882 de Household Stories, dos Irmãos Grimm, com doze desenhos originais a caneta e lápis do ilustrador Walter Crane.

A recuperação ilumina o legado duradouro da família Whitney no panorama cultural americano. John Hay Whitney, morto em 1982, foi uma figura de influência institucional considerável: presidiu o Museum of Modern Art, foi publisher do New York Herald Tribune e embaixador dos Estados Unidos no Reino Unido. Embora a maior parte da formidável coleção de arte do casal — que reunia mestres dos séculos 19 e 20 — tenha sido doada a instituições como o MoMA e a National Gallery of Art, essa biblioteca específica de livros raros era uma herança privada da mãe de John, a poeta Helen Hay Whitney.

O caminho até a restituição começou em 2015, mais de vinte e cinco anos depois de a família perceber que os livros haviam desaparecido. Um indivíduo não identificado tentou vender os 17 volumes a livreiros de Manhattan, que reconheceram os itens no Art Loss Register e alertaram as autoridades. Após uma série de mandados de busca executados em 2025 e 2026, a promotoria conseguiu assegurar as obras. A devolução funciona como lembrete da mecânica lenta e frequentemente minuciosa do mercado secundário do mundo da arte — e dos sistemas criados para vigiar suas zonas de sombra.

Com reportagem de ARTnews.

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