Chamar o filme How High (2001) de "guilty pleasure" é adotar uma postura retórica defensiva. O termo pressupõe que o prazer de assistir ao longa — uma comédia stoner estrelada por Method Man e Redman como improváveis alunos de Harvard — exige uma dose equivalente de vergonha. Esse sistema de classificação funciona como um filtro que separa a arte "séria" dos artefatos supostamente descartáveis da subcultura, mas quase sempre ignora a ressonância cultural genuína que essas obras carregam.

O filme e todo o universo ao seu redor representam uma interseção específica entre a estética do hip-hop e o absurdo do início dos anos 2000. Ao reduzir a obra a mera distração, a crítica deixa de enxergar a potência de sua construção de mundo e o modo desavergonhado como ela se dirige ao seu público. A parafernália do gênero — a linguagem visual do streetwear da época, a cadência particular dos diálogos — opera como um sistema coeso de identidade que transcende a tela.

No fim das contas, a insistência na "culpa" no consumo de mídia revela mais sobre nossas próprias ansiedades em relação a prestígio do que sobre a qualidade da obra em si. Abandonar esses rótulos reducionistas permite uma avaliação mais honesta de como filmes como How High navegam os sistemas de classe e poder institucional — ainda que o façam em meio a uma cortina de fumaça.

Com reportagem de Bright Wall Dark Room.

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