Nos estúdios Warner Bros. Leavesden, o artifício do cinema se expõe sem disfarce. Para a historiadora de cinema Kristin Thompson, uma visita recente à exposição "The Making of Harry Potter" proporcionou um mergulho profundo na infraestrutura física de uma das franquias mais relevantes da história recente do cinema. Instalada nos próprios estúdios de som onde os filmes foram produzidos, a mostra funciona como um acervo permanente do trabalho necessário para sustentar uma produção que se estendeu por mais de uma década.
O apelo da exposição reside no que é tangível. Embora os filmes sejam frequentemente lembrados por seus efeitos digitais, a mostra enfatiza o ofício manual — os adereços esculpidos à mão, os figurinos propositalmente envelhecidos, os cenários monumentais com estruturas de madeira. É um testemunho da escala industrial da construção de mundos ficcionais, em que a passagem da página para a tela é mediada por milhares de artesãos e designers especializados.
Chegar a esse acervo de história do cinema exige uma peregrinação desde a estação Euston, em Londres, até os arredores de Watford. Seja por conta própria ou por meio de serviços guiados, o trajeto evidencia uma complexidade logística que espelha a da própria produção. Para quem se interessa pelos sistemas do cinema, a exposição oferece mais do que nostalgia: proporciona um contato raro com o peso e o volume dos materiais que constituem um mito contemporâneo.
Com reportagem de David Bordwell Blog.
Source · David Bordwell Blog



