Para a Geração Alfa — a coorte nascida inteiramente na era do smartphone —, os pilares tradicionais da comunicação digital estão ruindo. Para um adolescente de catorze anos hoje, o e-mail é uma relíquia formal e a ligação telefônica, uma interrupção invasiva. No lugar disso, eles estão forjando uma taquigrafia linguística própria, que prioriza velocidade e sinalização social em detrimento das regras rígidas da sala de aula.
Essa mudança é mais visível na relação seletiva que mantêm com a ortografia. Em entrevistas com adolescentes espanhóis, emerge um padrão de "preguiça calculada". Enquanto alguns preservam acentos e vírgulas por clareza, o ponto final — outrora marca definitiva do encerramento de um pensamento — é cada vez mais descartado como desnecessário ou até agressivo. A capitalização, por sua vez, é terceirizada inteiramente para o corretor automático; se o software não corrige, o autor raramente se dá ao trabalho.
Ainda assim, não se trata de uma descida rumo ao analfabetismo total, mas de uma nova forma de curadoria social. Para muitos dessa geração, certos erros continuam imperdoáveis — o equivalente linguístico de uma mancha visível na camisa. Há uma distinção nítida entre atalhos "eficientes" e confusões fundamentais, como trocar homófonos. Aos olhos da Geração Alfa, a gramática não é um conjunto de leis imutáveis, mas um kit de ferramentas a ser usado apenas quando a situação exige.
Com reportagem de El País Tecnología.
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