O processo de seleção para o pavilhão americano na Bienal de Veneza raramente transcorre sem atritos, mas a preparação para a 61ª edição assumiu um tom particularmente sombrio. Barbara Chase-Riboud, a aclamada escultora e escritora franco-americana, confirmou recentemente sua decisão de recusar o convite para representar os Estados Unidos no evento de 2026. A recusa dela, somada à do renomado fotógrafo William Eggleston, levou a recém-criada American Arts Conservancy (AAC) a seguir adiante com o escultor radicado no México Alma Allen.

Em declaração ao Financial Times, Chase-Riboud caracterizou a decisão como uma questão de momento, e não de falta de apreço pela plataforma. "Participar da 61ª Bienal de Veneza teria sido esplêndido", afirmou, acrescentando que, para ela, como "cidadã do mundo", este simplesmente "não era o momento". A formulação é delicada, mas carregada da implicação de que o atual clima geopolítico e doméstico tornou o papel de representante nacional uma proposição complicada.

A carreira de Chase-Riboud passou por uma onda recente de reconhecimento institucional, incluindo uma grande retrospectiva em múltiplos museus de Paris. Seu trabalho, que frequentemente explora as interseções entre história, poder e a forma em bronze, ocupa um espaço em que o pessoal e o político são inseparáveis. Embora ela não tenha abordado diretamente os relatos de que a recusa estaria ligada ao novo governo dos EUA, a vaga no pavilhão sublinha uma hesitação crescente entre figuras da cultura em servir como avatares do Estado em períodos de polarização profunda.

Com reportagem de Hyperallergic.

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