No fim de 2020, no auge da disrupção provocada pela pandemia na indústria cinematográfica, a Disney anunciou que a sequência de seu sucesso de 2016, Moana, não passaria pelos cinemas. Reimaginado como série de televisão para o Disney+, o projeto era emblemático de um momento em que Hollywood acreditava que o futuro era exclusivamente digital e que o multiplex era relíquia de uma era pré-vacina. A guinada refletia uma aposta generalizada do setor: a de que assinaturas de streaming ofereceriam uma receita mais estável e lucrativa do que a volátil bilheteria.
Contudo, à medida que as "guerras do streaming" amadureceram, a bonança prometida se mostrou ilusória. Os estúdios descobriram que o alto custo de produção de conteúdo frequentemente superava o crescimento das receitas de assinatura, o que levou a um período de contenção financeira. A decisão de reconverter Moana 2 em longa-metragem para os cinemas — anunciada há cerca de um ano — foi mais do que uma mudança criativa; foi uma admissão calculada de que a janela de lançamento tradicional continua sendo o motor mais eficaz para gerar retornos massivos sobre propriedades intelectuais de primeira linha.
A estratégia parece ter se confirmado. Agora uma potência de bilheteria, Moana 2 rivaliza com a arrecadação doméstica de outros grandes tentpoles como Wicked. O sucesso sinaliza uma correção de rota mais ampla na indústria. Embora o streaming continue sendo parte vital do ecossistema, o modelo "direto para o digital" é cada vez mais reservado a projetos de segundo escalão, enquanto a tela grande volta a ser o palco principal para os ativos mais valiosos de um estúdio.
Com reportagem de David Bordwell Blog.
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