Um circuito analógico de subversão
Antes dos fóruns digitais e das mensagens criptografadas, o serviço postal funcionava como a principal infraestrutura de um circuito underground global e descentralizado. No início dos anos 1970, o coletivo canadense General Idea explorou essa rede por meio da FILE Magazine, um periódico que operava como central de distribuição de "correspondence art". Entre seus colaboradores mais prolíficos e provocadores estava Genesis Breyer P-Orridge, fundador do COUM Transmissions e dos pioneiros da música industrial Throbbing Gristle.
A exposição em Toronto
Uma nova exposição na Art Metropole, em Toronto — espaço que o próprio General Idea fundou em 1974 —, percorre as contribuições de P-Orridge a essa rede analógica. O acervo, emprestado pela National Gallery of Canada, inclui colagens, fotografias e cartas que traçam a trajetória do artista, de um provocador nascido em Manchester chamado Neil Megson a uma figura que dedicou a vida a desafiar os limites de gênero, arte e Estado.
Correios como meio de combate
Para P-Orridge, o correio não era mero sistema de entrega, mas um meio de subversão capaz de contornar os guardiões do mercado de arte tradicional. Essa intimidade trazia riscos inerentes: em 1975, o artista foi processado por enviar pelo correio colagens que justapunham imagens da Rainha Elizabeth com pornografia softcore. Esses "registros" de experimentação no início da carreira, em exibição até 31 de maio, oferecem uma janela para um período em que ideias radicais circulavam envelope por envelope, muito antes de o atrito do mundo físico ser aplainado pela internet.
Com reportagem de Hyperallergic.
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