A rodada mais recente de relatórios obrigatórios de diferença salarial entre gêneros no Reino Unido revelou uma regressão acentuada no Zaha Hadid Architects (ZHA). Depois de atingir um piso histórico de 6,3% na diferença mediana de remuneração por hora no ano passado, o escritório viu esse número mais que dobrar, chegando a 14,5% no ciclo mais recente. Na prática, os dados indicam que, para cada libra recebida por um homem em posição intermediária no estúdio, uma mulher na mesma faixa recebe apenas 86 pence.

Essa ampliação da disparidade contrasta com a trajetória de outros grandes escritórios britânicos, como Foster + Partners e Allford Hall Monaghan Morris, que reportaram redução nas respectivas diferenças neste ano. Embora o indicador mediano do ZHA oscile, a diferença média de remuneração por hora — calculada sobre o conjunto de todos os funcionários — permanece essencialmente congelada em 22% há três anos. A estagnação sugere um desequilíbrio estrutural persistente: homens continuam ocupando a ampla maioria dos cargos mais seniores e mais bem remunerados da firma.

O escritório também reportou uma disparidade significativa em bônus: a mediana dos valores pagos a mulheres ficou quase 34% abaixo da mediana masculina. Em nota, um porta-voz do ZHA defendeu as práticas do estúdio, afirmando que "mulheres e homens em funções equivalentes recebem igualmente" e que a remuneração é "inteiramente baseada em mérito", levando em conta competências específicas e experiência. A defesa evidencia uma tensão recorrente nos escritórios de elite do setor: a insistência em um modelo meritocrático que, ainda assim, não consegue produzir resultados equitativos no topo da pirâmide.

Com reportagem de Dezeen.

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