O objeto totêmico há muito funciona como ponte entre o físico e o espiritual — uma forma explorada por figuras do pós-guerra como Louise Nevelson e, mais recentemente, reexaminada sob uma lente decolonial por artistas como Simone Leigh. Em sua exposição Do Not Be Afraid, na galeria Parent Company, Leonardo Madriz acrescenta um capítulo contemporâneo e desconjuntado a essa linhagem, apresentando uma série de "sentinelas" que se erguem como guardiãs nodosas e precárias do momento presente.

As esculturas de Madriz são construídas a partir do refugo literal da sobrevivência e do peso psíquico do cotidiano. Em "Sentinel of Lacrimosa Guerrero", o artista entrelaça um repertório vertiginoso de materiais: Aqua Resin, arame farpado, balaclava camuflada e uma calota destruída. O que mais chama atenção são os fragmentos de dois cartões de crédito — um da primeira grande dívida que Madriz conseguiu quitar, outro de uma dívida que ainda persiste. Não se trata de simples materiais reciclados; são artefatos de precariedade econômica, unidos por um vocabulário meticuloso de nós, incluindo o nó de manjedoura e a laçada de cirurgião.

Há uma tensão deliberada nessas obras entre a fragilidade de seus componentes e o papel que lhes é atribuído: o de protetores. Ao antropomorfizar detritos de rua e relíquias pessoais, Madriz sugere que nossos monumentos contemporâneos não podem ser feitos de mármore ou bronze. Em vez disso, se formam por meio das relações poéticas — e muitas vezes tensionadas — entre os objetos que descartamos e os sistemas de dívida, trabalho e vida urbana que nos amarram. Essas sentinelas não oferecem uma sensação de permanência, mas sim uma presença vigilante e resiliente em meio aos destroços.

Com reportagem de Hyperallergic.

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