Em sua mais recente exposição, In Search of Lost Light, Jule Korneffel percorre a fronteira delicada entre presença e desaparecimento. Desde que despontou em 2018, o trabalho de Korneffel — marcado pela aplicação precisa de acrílica e pigmentos naturais — caminhou rumo a uma gravidade crescente. Seu processo é de intuição calculada: ela desenvolve paletas específicas para cada tela, manipulando a viscosidade da tinta para equilibrar uma relação paradoxal entre austeridade e exuberância.

O conjunto de obras em exibição na Spencer Brownstone Gallery, até 2 de maio, representa um desvio significativo em relação à intenção original da artista. Korneffel havia partido para produzir uma série de pinturas azuis, mas a realidade ambiental de um inverno passado no nordeste da Alemanha se impôs. Imersa na névoa densa da região e na prosa de Marcel Proust, ela viu sua paleta migrar para um espectro de cinzas. O resultado é um estudo do "fim da luz" — o momento preciso em que o sol aparece como um orbe pálido e suspenso atrás de um véu atmosférico crepuscular.

Essas pinturas funcionam como registros de resistência sensorial. Assim como Claude Monet antes dela, Korneffel se ocupa dos modos como a luz define e dissolve a forma. Suas pinceladas são ao mesmo tempo essenciais e espontâneas, carregando uma vulnerabilidade que sugere um engajamento profundo com as condições atmosféricas ao redor. Trata-se de uma investigação da luz não como tema estático, mas como recurso em dissipação, captado por uma lente de contenção intelectual e emocional.

Com reportagem de Hyperallergic.

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