A 55ª edição do New Directors/New Films abriu esta semana com Leviticus, longa de estreia do cineasta australiano Adrian Chiarella. Destaque da seção Midnight do Sundance, o filme acompanha Naim (Joe Bird) e Ryan (Stacy Clausen), dois adolescentes de uma cidade remota da Austrália cuja relação amorosa nascente é confrontada pela brutalidade da terapia de conversão. Chiarella transforma esse trauma sociológico em provação sobrenatural: uma maldição faz com que, sempre que um dos garotos está sozinho, uma entidade assassina com a aparência do outro se manifeste para assombrá-lo.
O monstro como espelho
A crítica tem apontado a dívida de Chiarella com o horror tátil de O Enigma de Outro Mundo, de John Carpenter, e com o pavor atmosférico e implacável de A Entidade, de David Robert Mitchell. Ainda assim, Leviticus se diferencia ao usar o tropo do metamorfo para explorar a autoimagem fraturada que sistemas repressivos impõem a seus alvos. A entidade não é apenas um monstro — é um reflexo demoníaco dos desejos mais profundos dos protagonistas, transformado em arma pelos próprios rituais que deveriam "curá-los".
Horror e romance em equilíbrio
Apesar das sequências violentas, o filme mantém um equilíbrio delicado entre o horror gélido do isolamento e um romance arrebatador de amantes fadados à tragédia. Chiarella evita a armadilha de se deter exclusivamente no trauma, apostando em vez disso na carga emocional da relação entre os garotos. É uma obra que sugere que o amor pode, sim, dilacerar quem o vive — mas posiciona esse risco como ato necessário de desafio diante de um ambiente hostil.
Com reportagem de Criterion Daily.
Source · Criterion Daily



