Uma obra que brota da arquitetura
No silêncio de uma capela do século 18 no Yorkshire Sculpture Park, a artista Nicola Turner montou uma intervenção visceral. Seu trabalho mais recente, Time's Scythe, é uma instalação expansiva e responsiva ao espaço que parece brotar da própria arquitetura do edifício. A intrusão começa pelo lado de fora — escorre da torre do sino, serpenteia por uma janela superior e desce em cascata pelo balcão interior até a nave, onde se acomoda em formas sinuosas e volumosas.
Matéria morta com energia latente
A escolha do material é um gesto deliberado em direção ao que Turner chama de "memória material". A instalação é construída a partir de tentáculos individuais de lã crua e crina de cavalo, envolvidos em malha e costurados em massas densas, de aparência orgânica. A lã é de origem local, mas a crina carrega uma história mais íntima: foi recuperada de estofados e colchões antigos que passaram gerações em contato direto com corpos humanos. Para Turner, esses materiais orgânicos são "matéria morta" que ainda assim retém uma energia latente e atávica.
Onde a obra encontra a paisagem
A experiência sensorial do trabalho pretende ser imersiva. O cheiro terroso das fibras cruas preenche a capela, enquanto a visão de ovelhas pastando na paisagem ao redor — fonte da matéria-prima principal da instalação — dissolve a fronteira entre a obra e o ambiente. Na extremidade de vários tentáculos, tesouras tradicionais de tosquia se estendem em direção ao altar como garras esqueléticas, uma referência às tradições agrícolas do próprio parque e à natureza cíclica da vida e do trabalho.
Time's Scythe permanece em exibição na capela do Yorkshire Sculpture Park até 27 de setembro de 2026.
Com reportagem de Designboom.
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