A postura do governo Trump em relação ao Irã se transformou num estudo sobre metas que não param de se mover. O que começou como uma declarada busca por mudança fundamental de regime se converteu num objetivo mais estreito, embora igualmente espinhoso: impedir Teerã de adquirir capacidades nucleares. A oscilação entre esses dois objetivos — um maximalista, o outro mais convencionalmente diplomático — tem deixado analistas sem conseguir identificar uma linha estratégica coerente. O que emerge, em vez disso, é um padrão de formulação de política reativa, no qual as metas declaradas se deslocam em resposta a desdobramentos no campo de batalha, pressões políticas domésticas e divisões internas do próprio governo.

A virada rumo à contenção nuclear é particularmente notável à luz da história recente da diplomacia americana na região. Impedir um Irã com armas nucleares era o objetivo central do Plano de Ação Abrangente Conjunto (JCPOA), o acordo multilateral alcançado em 2015 sob o governo Obama, que impôs limites ao enriquecimento de urânio iraniano em troca de alívio de sanções. Donald Trump retirou os Estados Unidos desse acordo em 2018, chamando-o de "defeituoso em sua essência". Ao desmantelar o arcabouço existente apenas para exigir seu resultado central por outros meios, o governo criou um ciclo de redundância estratégica — perseguindo por meio de confronto aquilo que antes era perseguido por meio de negociação, sem explicar por que o novo caminho teria mais chances de sucesso.

A distância entre retórica e doutrina

A distância entre mudança de regime e contenção nuclear não é meramente retórica. São objetivos estratégicos fundamentalmente distintos, que exigem posturas de força diferentes, estruturas de alianças diferentes e definições de sucesso diferentes. Mudança de regime implica disposição para sustentar um engajamento prolongado, absorver custos significativos e aceitar responsabilidade pelo que vem depois do colapso de um governo existente. As experiências americanas no Iraque e na Líbia oferecem estudos de caso bem documentados de como essas ambições podem ultrapassar o planejamento. A contenção nuclear, por outro lado, é um objetivo mais delimitado — historicamente perseguido por meio de uma combinação de dissuasão, inspeções e pressão diplomática, e não por escalada militar isolada.

Quando um governo oscila entre esses dois polos sem se comprometer claramente com nenhum deles, o resultado é uma ambiguidade estratégica de tipo particular — não a ambiguidade calculada por vezes empregada como instrumento de política de Estado, mas aquela que sinaliza confusão interna. Aliados que precisam calibrar suas próprias posições têm dificuldade em se alinhar com um parceiro cujos objetivos mudam de um ciclo noticioso para o seguinte. Adversários, por sua vez, podem interpretar a inconsistência como fraqueza ou imprevisibilidade, nenhuma das quais necessariamente serve aos interesses americanos de forma estável.

Ecos históricos e tensões estruturais

O padrão não é inédito. A política externa americana tem um longo histórico de tensão entre objetivos idealistas e restrições pragmáticas, particularmente no Oriente Médio. A doutrina de dupla contenção dos anos 1990, que buscava constranger simultaneamente Iraque e Irã, acabou cedendo lugar à intervenção militar direta num caso e a um impasse diplomático prolongado no outro. A questão sobre se a política de Washington para o Irã é movida por um cálculo estratégico genuíno ou pela força gravitacional da política doméstica — incluindo a influência de conselheiros belicistas e o apelo eleitoral de uma postura dura — tem sido um tema recorrente ao longo de vários governos.

O que distingue o momento atual é o grau em que os objetivos declarados parecem contradizer as próprias ações anteriores do governo. Retirar-se de um acordo de não proliferação e depois enquadrar a não proliferação como meta central cria um problema de credibilidade que nenhuma dose de força retórica resolve com facilidade. Também levanta uma questão estrutural sobre a estratégia americana: se o aparato de formulação de políticas é capaz de sustentar uma abordagem coerente de longo prazo para o Irã quando os incentivos políticos premiam o posicionamento de curto prazo.

A dissonância em Washington aponta para uma tensão mais profunda e não resolvida sobre o propósito real do conflito. Seja a ambiguidade um elemento deliberado da "pressão máxima" ou um sintoma de genuína incoerência política, o efeito prático é o mesmo: um desfecho que permanece indefinido, obscurecido por mandatos que se deslocam e deixam aliados e adversários recalibrando em tempo real. As forças que puxam a estratégia americana em direções opostas — maximalismo ideológico de um lado, restrição pragmática do outro — não dão sinais de convergir para um equilíbrio estável. Por quanto tempo essa tensão pode persistir antes de forçar um compromisso decisivo numa direção ou noutra é a pergunta que agora paira sobre o conflito.

Com reportagem do Dagens Nyheter.

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