No projeto de longo fôlego que reavalia a história do cinema ano a ano, 1935 apresenta um desafio curioso. Enquanto 1934 rendeu uma safra robusta de clássicos e 1936 desponta com a promessa de Renoir e Lang, o ponto médio da década parece, na avaliação da historiadora de cinema Kristin Thompson, um período de entretenimento agradável — não de arte transformadora. É um ano definido menos por seus picos e mais por suas lacunas de acervo, em que a ausência de obras importantes de diretores como Fritz Lang deixa um vazio significativo no cânone.
A dificuldade de montar uma lista de "melhores do ano" para 1935 é tanto logística quanto estética. Thompson observa que encontrar versões de alta qualidade de filmes relevantes se torna cada vez mais difícil; muitas obras, como Oyuki the Virgin ou The Downfall of Osen, de Kenji Mizoguchi, permanecem confinadas em arquivos ou relegadas a uploads de resolução quase impraticável. Esse atrito entre o desejo de completude histórica e a realidade da deterioração dos suportes físicos evidencia a fragilidade do patrimônio cinematográfico compartilhado.
Mesmo os destaques que sobrevivem — como The Youth of Maxim, de Grigoriy Kozintsev e Leonid Trauberg — sugerem um ano de consolidação. Embora esses filmes mantenham proficiência técnica e relevância cultural, frequentemente lhes falta a centelha singular e revolucionária associada às obras-primas mais celebradas da época. Para o historiador, 1935 funciona como lembrete de que a evolução de uma forma de arte raramente é uma ascensão linear — trata-se, antes, de uma série de flutuações moldadas pela disponibilidade de recursos e pelos caprichos da preservação.
Com reportagem de David Bordwell Blog.
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