O silêncio que se instalou no blog de David Bordwell em março passado foi mais do que uma simples pausa — foi a quietude de um arquivo monumental chegando ao repouso. Desde sua criação, em 2006, o site funcionou como um registro definitivo de análise fílmica, acumulando 1.113 textos que aproximavam o rigor acadêmico da observação sobre a indústria. Após a morte de Bordwell, sua colaboradora de longa data e esposa, Kristin Thompson, se pronunciou sobre o futuro de uma plataforma que definiu a era digital da pesquisa em cinema.
A longevidade do blog se sustentava numa parceria intelectual muito específica — um ciclo de leitura e comentário mútuo de rascunhos, além da navegação conjunta pelo circuito global de festivais de cinema. Sem esse diálogo, a perspectiva de frequentar festivais sozinha e redigir textos solitários parece, por ora, esvaziada. Thompson observa que, embora o blog tenha cumprido seu propósito original como repositório de análise detalhada, a transição de um projeto compartilhado para um empreendimento individual é difícil de conduzir.
Ainda assim, a pausa na escrita sobre cinema não significa recuo da atividade acadêmica. Thompson retomou sua carreira paralela em Egiptologia, trabalhando na expedição de Tell el-Amarna no estudo de estatuária real. Apesar da perda recente do diretor da expedição, o trabalho segue em frente, levando Thompson de volta ao deserto por várias temporadas neste ano. Entre essas incursões arqueológicas e um mergulho nas celebrações do 250º aniversário do artista J.M.W. Turner, o silêncio no blog não reflete o fim da investigação, mas uma mudança de direção.
Com reportagem de David Bordwell Blog.
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