Em 2016, após a morte repentina de um amigo de infância, o fotógrafo Dean Majd começou a documentar a vida interior de um círculo coeso de jovens em Nova York. Eram frequentadores da cena noturna, do skate e do grafite da cidade — comunidades muitas vezes definidas por uma insularidade protetora, quase hermética. Ao longo da década seguinte, Majd usou câmeras point-and-shoot para capturar o atrito entre as personas públicas desses homens e suas vulnerabilidades privadas, produzindo um corpo de trabalho intitulado Hard Feelings.
As imagens, muitas feitas sob o flash duro da fotografia noturna, oscilam entre cenas de euforia caótica e a quietude densa do luto. A lente de Majd não se limita a observar; ela participa de um acerto de contas prolongado com a masculinidade. Ao se concentrar nas "rupturas" dentro do próprio grupo social, o fotógrafo explora como trauma e lealdade moldam os vínculos entre homens. O trabalho evita os clichês da aspereza pela aspereza, optando por uma meditação sobre a possibilidade de cura dentro de uma cultura que frequentemente exige estoicismo emocional.
Exibido recentemente na Baxter St, em Nova York, e incluído na mostra Greater New York do MoMA PS1, o projeto evoluiu de um arquivo pessoal para um documento cultural relevante. Majd descreve o processo como uma navegação ética complexa, equilibrando a intimidade da amizade com o impulso de registro. Com inspirações tão díspares quanto os filmes de John Cassavetes e o coletivo de hip-hop Dipset, Hard Feelings oferece um olhar raro e sem verniz sobre a construção de mitos e as estratégias de sobrevivência inerentes à camaradagem masculina contemporânea.
Com reportagem de Aperture.
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