A economia russa funciona cada vez mais como uma máquina construída para um único propósito: a sustentação da guerra na Ucrânia. Segundo Thomas Nilsson, chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar da Suécia (MUST), existe uma possibilidade concreta de que Vladimir Putin desconheça a real extensão da fragilidade econômica do país. Essa lacuna de informação — seja acidental, seja curada por subordinados — permite ao Kremlin manter um rumo que muitos analistas ocidentais consideram insustentável.

Mesmo que a realidade da crise chegasse à mesa do presidente, especialistas argumentam que pouco mudaria na trajetória da invasão. Torbjörn Becker, diretor do Stockholm Institute of Transition Economics, sugere que Putin está preparado para canibalizar praticamente todos os outros setores do Estado russo a fim de manter as forças armadas operacionais. Nesse cálculo, bem-estar social, infraestrutura e desenvolvimento de longo prazo são secundários diante das necessidades imediatas da linha de frente.

A resiliência do esforço de guerra russo não é necessariamente um sinal de saúde econômica, mas sim reflexo de uma priorização total. À medida que o Estado se reorganiza em torno de um regime permanente de guerra, as métricas tradicionais de estabilidade econômica — inflação, valor da moeda, bem-estar do consumidor — tornam-se preocupações terciárias. Para Putin, a guerra se converteu no princípio organizador central do Estado russo, um princípio que ele parece disposto a defender a qualquer custo fiscal.

Com reportagem de Dagens Nyheter.

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