Para a primeira geração de nativos digitais, o smartphone costumava ser um presente entregue sem manual de instruções. Jovens adultos de hoje, como a estudante de publicidade Júlia Teruel, de 20 anos, começam a verbalizar o preço desse acesso precoce e irrestrito. O que começou como uma plataforma para compartilhar fotos inocentes de paisagens ou amigos se transformou rapidamente em uma arena de alta pressão, movida por validação social e comparação permanente.

A ausência de supervisão parental no início dos anos 2010 criou um vácuo que plataformas cada vez mais tóxicas trataram de preencher. Teruel lembra o surgimento do ThisCrush, um site de comentários anônimos que se converteu em canal de crueldade. Aos 12 anos, ela foi alvo de mensagens anônimas que atacavam sua aparência — críticas físicas que chegaram no momento em que sua autoimagem era mais frágil.

Essas experiências iluminam um período crucial na história da tecnologia: a fase anterior ao momento em que "bem-estar digital" se tornou jargão corporativo ou prioridade de pais e educadores. Para esses jovens, a internet não era uma ferramenta a ser administrada, mas um ambiente social que se esperava que navegassem sozinhos. O resultado é uma geração de jovens adultos que agora processa, retroativamente, o peso psicológico de uma infância vivida no faroeste digital.

Com reportagem de El País Tecnología.

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