A engrenagem do circuito global de festivais de cinema acelera enquanto a indústria se prepara para sua migração anual à Côte d'Azur. Embora a competição principal de Cannes costume dominar as manchetes, o anúncio da seção ACID — programa curado por diretores desde 1992 — funciona como lembrete do papel do festival como descobridor de talentos. Os nove filmes selecionados este ano trazem nomes em grande parte desconhecidos do público geral, mas o histórico do programa é notável: por ali passaram cineastas como Justine Triet e Radu Jude, antes de se consagrarem.

Nos Estados Unidos, o calendário de festivais também se adensa com estreias iminentes. O Tribeca Festival abre sua edição de vigésimo quinto aniversário com o novo documentário de Questlove, Earth, Wind & Fire (To Be Celestial VS That's the Weight of the World), sinalizando um interesse contínuo na interseção entre musicologia de arquivo e cinema. Enquanto isso, o Seattle International Film Festival terá como filme de abertura I Love Boosters, de Boots Riley, e na Suíça o Visions du Réel reúne uma vanguarda de documentaristas e cineastas experimentais, incluindo Kelly Reichardt e Laura Poitras.

Esse período de expectativa é marcado por uma perda significativa no universo do som cinematográfico. Asha Bhosle, a lendária cantora de playback cuja voz definiu décadas do cinema de Bollywood, morreu aos 92 anos. A carreira de Bhosle foi uma aula de versatilidade — frequentemente descrita como o contraponto estilístico de sua irmã, Lata Mangeshkar. Sua morte encerra uma era específica do playback singing, sistema em que a voz era parte da arquitetura cinematográfica tanto quanto os próprios atores.

Com reportagem de Criterion Daily.

Source · Criterion Daily