A máquina por trás da oficina
O sistema de oficinas do Renascimento espanhol funcionava como uma engrenagem colaborativa, em que as fronteiras entre a mão do mestre e a de seus aprendizes se diluíam com frequência. Para historiadores da arte, separar essas contribuições sempre foi uma questão de connoisseurship — uma análise visual intuitiva, ainda que rigorosa. Agora, uma equipe multidisciplinar da Case Western Reserve University está ampliando essa intuição com um modelo de aprendizado de máquina batizado de PATCH.
PATCH, sigla para "pairwise assignment training for classifying heterogeneity", opera em escala microscópica. Ao analisar segmentos de um centímetro quadrado da tela, o sistema identifica assinaturas sutis, quase inconscientes, de pincelada e textura de tinta. O modelo é treinado com obras reconhecidamente produzidas por um único artista, o que cria uma linha de base de consistência estilística — referência que depois serve para interrogar peças de origem mais ambígua.
Os pesquisadores, com formações que vão da física à antropologia e à história da arte, aplicaram essa lente digital à obra de El Greco. Eles compararam Cristo na Cruz, atribuída exclusivamente ao mestre, com a mais controversa O Batismo de Cristo. Há tempos se suspeita que esta última seja uma colaboração póstuma envolvendo o filho de El Greco e assistentes da oficina — e a IA oferece agora um arcabouço quantitativo para essas suspeitas. Trata-se de uma mudança na forma como autenticamos o passado: as idiossincrasias de uma pincelada deixam de ser apenas observadas e passam a ser calculadas.
Com reportagem de ARTnews.
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