Em 1947, o roteirista Dalton Trumbo se apresentou diante do Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara dos Representantes e se recusou a ceder. Ele era um dos "Dez de Hollywood", grupo de cineastas que escolheu a prisão e o exílio profissional em vez de trair seus colegas. Décadas depois, a avaliação de Trumbo sobre sua condenação continuava afiada como sempre: ele havia sido considerado culpado por desacato ao Congresso, uma acusação que julgava inteiramente precisa — afinal, nutria pelo órgão um desprezo absoluto.
O Red Scare — a histeria anticomunista — foi mais do que uma escaramuça política; foi um expurgo sistemático da paisagem cultural americana. A engrenagem da Lista Negra não mirava apenas supostos subversivos — ela desmantelou as carreiras de artistas como Dorothy Parker, Richard Wright e Charlie Chaplin. Eram talentos cujas trajetórias não foram apenas alteradas, mas, em muitos casos, permanentemente suprimidas pela paranoia cultural do início da Guerra Fria.
Neste verão, o Festival de Locarno vai revisitar essa história fraturada por meio de sua retrospectiva, "Red & Black: Hollywood Left and the Blacklist". Curada por Ehsan Khoshbakht, a programação funciona como um exame forense dos filmes e das figuras apanhadas na mira do macartismo. Ao iluminar esses legados "frustrados", o festival convida o público contemporâneo a considerar com que facilidade os sistemas de produção criativa podem ser instrumentalizados contra os próprios criadores.
Com reportagem de Criterion Daily.
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