No cenário tradicionalmente estável da governança sueca, surgiu um ponto de atrito entre a coalizão governista Tidö e o Conselho de Legislação (Lagrådet), órgão encarregado de verificar a constitucionalidade dos projetos de lei. O que pode parecer uma disputa processual árida é, segundo analistas do International Institute for Democracy and Electoral Assistance (International IDEA), uma luta fundamental pelo futuro da arquitetura democrática do país.

A preocupação gira em torno do enfraquecimento sistemático dos mecanismos de freios e contrapesos institucionais. Quando o Poder Executivo contorna ou mina a fiscalização dos órgãos de controle jurídico, a concentração de poder se desloca em favor dos tomadores de decisão, em detrimento da supervisão. Essa erosão das "funções de controle" sugere um movimento rumo a uma autoridade mais centralizada, na qual as balizas legais criadas para impedir abusos passam a ser tratadas como obstáculos, e não como peças essenciais.

Em artigo publicado pelo Dagens Nyheter, Michael Runey e Binto Bali argumentam que o clima político atual exige uma resposta mais firme da oposição. Para que a democracia se mantenha resiliente, não bastam instituições funcionais — é preciso uma classe política disposta a defendê-las. Sem uma postura mais assertiva por parte de quem está fora da maioria governista, o desmonte silencioso dessas salvaguardas democráticas pode seguir sem contestação.

Com reportagem do Dagens Nyheter.

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