A entrada da nova exposição do Rijksmuseum, Metamorphoses, oferece uma introdução visceral à volatilidade da criação. A pintura de Louis Finson de 1611, "The Four Elements", recebe os visitantes com um emaranhado de corpos nus em movimento centrípeto — uma cena de tensão muscular e aflição que funciona como prelúdio à investigação mais profunda da mostra. É uma imagem de desordem executada com precisão requintada, capturando a violência inerente aos mitos que sustentam a arte ocidental.
Batizada em homenagem ao poema épico de Ovídio, a exposição funciona como uma ponte temporal, conectando obras-primas do Renascimento à Antiguidade e à escultura moderna. Embora grandes mostras frequentemente corram o risco de se tornar meros inventários de nomes célebres, os curadores aqui utilizam o texto de Ovídio como ponto de partida rigoroso. A exposição acompanha a evolução de temas como desejo e "devir", colocando artistas tão distintos quanto Antonio da Correggio e Isamu Noguchi numa conversa compartilhada sobre a fluidez da forma humana.
Ao privilegiar o ato de transformação em vez da mera estética do mito, o Rijksmuseum escapa da armadilha de uma retrospectiva sem substância. Em vez disso, a curadoria evidencia como a tradição ovidiana permitiu que artistas ao longo dos séculos navegassem a dissonância entre beleza e brutalidade. Seja por meio da "Pygmalion and Galatea" de Jean-Léon Gérôme, do final do século 19, ou de obras mais contemporâneas, a exposição argumenta que nosso fascínio pela mudança — e pelos impulsos frequentemente violentos que a impulsionam — permanece uma constante fundamental na história da criação artística.
Com reportagem de Hyperallergic.
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