Numa sala de aula de performance em Sunset Park, Brooklyn, o silêncio das crianças pode funcionar como ferramenta de diagnóstico. Para Rawya El Chab, artista e educadora de 45 anos, a recente reticência de seus alunos imigrantes — alimentada pelo medo da intervenção estatal e pelo espectro do ICE — carrega uma ressonância familiar. É um eco de sua própria juventude em Beirute durante os anos 1980, período definido pelas ocupações síria e israelense, em que o peso da vigilância ditava os limites entre a fala pública e a privada.

Essa linha condutora do silêncio imposto pelo Estado orienta a prática de El Chab há mais de duas décadas. Seu trabalho opera na interseção entre teatro político e investigação existencial, transitando de fóruns interativos em campos de refugiados palestinos a casas de repouso onde ela usa a linguagem do palhaço para abordar a mortalidade com idosos. Em cada contexto, El Chab investiga como a "força" da autoridade censura o indivíduo — e como a narrativa funciona como mecanismo de retomada da agência.

Em sua performance recente, Crossing the Water, El Chab assume o papel mitológico de guia na travessia do rio Estige. Enquanto um rumor grave preenche o teatro, ela oferece ao público um conforto sombrio e estoico: "Não se preocupe. Não é a primeira vez que eu morro." Para El Chab, o ato da performance não é mero reflexo de traumas passados, mas um modo de navegar os ciclos recorrentes de deslocamento e sobrevivência que definem a experiência imigrante.

Com reportagem de Hyperallergic.

Source · Hyperallergic