Um monumento devolvido ao seu contexto
Durante séculos, o Pantheon ocupou o imaginário popular como uma obra-prima singular e isolada — uma rotunda solitária emergindo do pavimento romano. Essa imagem, no entanto, é em grande parte resultado das demolições urbanísticas do século XIX, que eliminaram todo o entorno original. Um novo projeto do estúdio italiano de arquitetura STARTT, intitulado Beyond the Pantheon, busca desmontar essa narrativa de isolamento ao reconectar o templo às ruínas da Basílica de Netuno, situadas logo atrás dele.
Inserções precisas para liberar o passado
Encomendada pelo Ministério da Cultura da Itália, a intervenção utiliza o que os arquitetos chamam de "micro-arquiteturas". São inserções modernas, precisas, feitas de aço e pedra, que abrigam infraestrutura contemporânea essencial — elevadores, depósitos e sanitários — dentro do sítio arqueológico. Ao concentrar essas necessidades logísticas em volumes discretos e sob medida, o STARTT removeu décadas de acúmulo técnico, transformando áreas de armazenamento antes inacessíveis em um percurso expositivo coerente.
O diálogo restaurado
O projeto restabelece, na prática, o diálogo arquitetônico entre a rotunda do Pantheon e a abside da Basílica de Netuno. Para Simone Capra, fundador do STARTT, o objetivo era permitir que os visitantes percebessem o conjunto como a "cabeça de uma coluna vertebral urbana", e não como um monumento desconectado. Com isso, o estúdio alcançou um equilíbrio delicado: usar a linguagem da utilidade moderna para revelar a história profundamente estratificada do tecido urbano de Roma.
Com reportagem de Dezeen.
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