A mais recente exposição de Theaster Gates na Gagosian vai além de uma mostra de cerâmica contemporânea: é o ponto culminante de um diálogo de trinta anos com o legado de David Drake. Conhecido como "Dave the Potter", Drake foi um homem escravizado na Carolina do Sul do século 19 que desafiou as proibições da época ao assinar e gravar poesia em seus vasos de grés. Para Gates, o encontro com a obra de Drake ainda na graduação em Iowa State University, no início dos anos 1990, funcionou como um contraponto necessário a um currículo então dominado pelo "artesanato branco americano" de nomes como Peter Voulkos e Rudy Autio.

A descoberta, incentivada pela professora Ingrid Lilligren, ofereceu a Gates um "aparato para acreditar" em sua própria prática. Numa época em que a história do artesanato americano parecia excludente, Drake serviu como arquétipo — um "poeta-ceramista negro" cuja existência legitimava as ambições do próprio Gates. Esse envolvimento evoluiu de curiosidade acadêmica para pilar central de sua carreira, passando por uma exposição em Milwaukee em 2010 até a aquisição pessoal de um vaso original de Drake em 2021.

No centro da mostra atual está uma obra doada aos descendentes de Drake, gesto que aproxima apagamento histórico e reconhecimento contemporâneo. Ao colocar a linhagem de Drake em primeiro plano, Gates não se limita a arquivar o passado — ele o reivindica como alicerce vivo para o artesanato negro. A exposição funciona como um lembrete de que a história do design americano muitas vezes se encontra nas mãos daqueles a quem um dia se negou até o nome, e que agora finalmente conquistam um lugar permanente no cânone.

Com reportagem de ARTnews.

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