O Templo de Dendur, monumento em arenito do século I a.C. dedicado à deusa Ísis, há muito funciona como um refúgio de quietude dentro do Metropolitan Museum of Art. Neste verão, essa quietude será interrompida pela chegada das figuras magras e alongadas de Alberto Giacometti. Em parceria com a Fondation Giacometti, sediada em Paris, o museu vai instalar 17 obras do escultor suíço dentro e ao redor do templo, criando um diálogo visual entre o existencialismo moderno e o ritual antigo.

A combinação é menos anacrônica do que parece à primeira vista. Giacometti foi um estudioso permanente da arte egípcia, atraído por sua mistura singular de naturalismo e força simbólica. A exposição, "Giacometti in the Temple of Dendur", evidencia esse parentesco por meio de obras como o bronze de 1932 "Femme qui marche I" (Mulher caminhando) e a "Femme de Venise I" (Mulher de Veneza), de 1956. Essas figuras, que variam de poucos centímetros a mais de dois metros e meio de altura, espelham as proporções esguias e hieráticas das figuras gravadas nas paredes do templo.

Ao posicionar essas silhuetas de meados do século XX num espaço erguido para honrar a maternidade e a magia, o Met convida a uma meditação sobre a forma humana como constante ao longo do tempo profundo. Como observa Emilie Bouvard, curadora da Fondation Giacometti, o escultor buscava uma "monumentalidade" que não sacrificasse a humanidade. À sombra do Templo de Dendur, as esculturas de Giacometti sugerem que a busca pelo espírito humano essencial permanece inalterada — seja talhada em pedra para uma deusa egípcia ou fundida em bronze para um mundo do pós-guerra.

Com reportagem de Hyperallergic.

Source · Hyperallergic