O terceiro longa-metragem de Mark Jenkin, Rose of Nevada, se organiza em torno de uma imagem de quietude perturbadora: um barco pesqueiro vermelho e branco à deriva numa vastidão oceânica onde céu e água se confundem num azul único e sufocante. É um filme que opera na periferia da realidade — uma narrativa da Cornualha que trata o tempo não como progressão linear, mas como uma maré capaz de, inexplicavelmente, devolver aquilo que se dava por perdido.

A embarcação que dá título ao filme desapareceu trinta anos atrás e se tornou uma lenda local de perda. Quando reaparece de repente no porto, encontra uma vila transformada pela decadência e pela escassez econômica. Nick (George MacKay), um jovem nascido depois do sumiço do barco, luta para manter um telhado que não para de vazar e sustentar sua família. Para ele, o Rose of Nevada não é uma história de fantasmas, mas uma rara oportunidade de trabalho — o que o leva a integrar uma tripulação que inclui um forasteiro, Liam (Callum Turner), e o marinheiro veterano Murgey.

Jenkin usa essa premissa sobrenatural para examinar o peso do sacrifício coletivo diante das pressões imediatas da sobrevivência individual. Enquanto os personagens navegam a "carcaça de metal" do navio que retornou, o filme equilibra uma atmosfera de apreensão com o retrato realista de uma comunidade à beira do colapso. É uma meditação sobre como o passado assombra o presente — não apenas por meio de navios espectrais, mas pela luta persistente daqueles que ficaram para trás, na esteira da indústria e do tempo.

Com reportagem de Little White Lies.

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