Um triunfo distribuído
O Oscar 2026 pertenceu a uma única entidade: a Warner Bros. Ao garantir onze estatuetas, o estúdio ingressou num patamar histórico de elite antes ocupado apenas pelos eventos comerciais e culturais mais sísmicos da indústria — o Ben-Hur da MGM, o Titanic da Paramount e O Retorno do Rei da New Line Cinema. Diferentemente daquelas varreduras monolíticas, porém, a vitória da Warner Bros. foi um triunfo distribuído do cinema autoral, espalhado por uma safra de projetos ambiciosos e de alto orçamento que muitos temiam estar em extinção na era das franquias.
A noite foi ancorada por One Battle After Another, de Paul Thomas Anderson — uma adaptação livre e expansiva de Vineland, de Thomas Pynchon. O filme levou seis prêmios, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção, consolidando o status de Anderson como um raro cineasta capaz de comandar recursos massivos para fins idiossincráticos. O horror ambientado na era Jim Crow de Ryan Coogler, Sinners, converteu quatro de suas dezesseis indicações — incluindo uma vitória histórica de Melhor Fotografia para Autumn Durald Arkapaw —, enquanto Weapons, de Zach Cregger, completou a conta do estúdio com o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante para Amy Madigan.
Apoteose ou ponto final?
Apesar do clima de celebração, a cerimônia pareceu a alguns observadores mais uma apoteose do que um começo. O sucesso desses filmes — caros, conduzidos por diretores e intelectualmente exigentes — chega num momento de profunda contração industrial. Embora a Warner Bros. tenha provado que o modelo do "auteur de grande orçamento" ainda consegue dominar a conversa cultural, a escala do investimento necessário sugere que esta pode ser a última e reluzente despedida de uma era do cinema cada vez mais em descompasso com a lógica avessa ao risco dos conglomerados de mídia contemporâneos.
Com reportagem de MUBI Notebook.
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